O Grupo RBS está comemorando neste mês 30 anos em Santa Catarina, mas penso que nós catarinenses não temos o que comemorar.
É verdade que a RBS gera produtos de qualidade, bem acima dos concorrentes, mas acho que, enquanto catarinenses, estamos pagando um alto preço por isso.
No futebol o descontentamento é geral e conseguem desagradar gregos e troianos, ou melhor, alvinegros e avaianos. Um exemplo disso é a capa do Diário Catarinense da última segunda feira, primeiro exemplar após a histórica estreia do nosso rival na Série A, depois de 30 anos ausente. E qual foi a foto da capa? O gol do Nilmar com a camisa do colorado gaúcho.
Achei uma total falta de respeito com o Avaí e com o futebol catarinense. Só pode ser coisa de algum gaúcho que mora aqui mas está com a cabeça em Porto Alegre, como a maioria, por sinal. Que residem no nosso Estado mas não se integram à nossa comunidade. A RBS é um pouco assim, a meu ver.
Mas para não restar dúvida de que o espírito gaúcho domina a RBS eu pergunto: Se o golaço do final de semana tivesse sido feito não pelo Nilmar, mas pelo Evando na Ressacada, teria alguma chance de o Zero Hora estampar na capa da edição de segunda feira do Jornal uma foto do lance? Alguém tem alguma dúvida que não?
Mas não para por aí. O futebol é apenas um detalhe. Há muitas outras áreas em que tudo mudou depois que a RBS chegou. Onde está o Jornal O Estado? E o Jornal de Santa Catarina? E o A Notícia? A quem pertencem?
A impressão que tenho é que a RBS é como aquelas árvores que nada consegue se desenvolver à sua volta, tipo um pínus.
Pode-se alegar que o Jornal O Estado quebrou por incompetência. Pode ser. Mas será que os outros jornais citados, que foram comprados pela RBS, também sucumbiram por conta disso? No Rio Grande do Sul também houve situação parecida.
Um amigo meu me falou que o Diário Catarinense chegava nas bancas em Blumenau antes do JSC, jornal local (quando este ainda não pertencia à RBS). Isso não é só competência. Envolve um elevado custo com a logística de distribuição que duvido fosse coberto com as receitas geradas. Não estou acusando a RBS de nenhuma prática ilícita, mas o resultado está aí e não sou obrigado a engolir.
Outra questão, bastante polêmica, que a RBS interferiu diretamente e é responsável pelos resultados, comemorado por muitos, é a Farra do Boi. Não vou aqui entrar na polêmica do contra ou a favor, mas entendo que era uma prática que estava enraizada na cultura local dos pescadores e moradores de áreas rurais do litoral catarinense e poderia ser tratada de outra forma, com propostas de regulamentação que protegessem os animais, os farristas e o patrimônio das pessoas em geral. Porque não poderia ser feito em mangueirões, com regras rígidas e fiscalização? Se nem assim pode, porque não se acaba com as touradas, vaquejadas e rodeios que ocorrem Brasil afora? Porque a RBS não faz campanha pela extinção dessas práticas? Não parece uma perseguição cultural?
O pior é que a RBS não acabou com a farra do boi, mas apenas ajudou e muito a marginalizar a prática, na qual, hoje sim, são constatados frequentes atos reprováveis contra os animais, pessoas e patrimônios, praticados por marginais e vândalos que agora predominam, bem diferente de 30 anos atrás, quando havia um dono do boi, que fiscalizava e coibia abusos, e os farristas eram pessoas simples, mas, em geral, bem intencionadas.
Já havia abusos que precisavam ser coibidos, como ainda há nas touradas e vaquejadas. Bastava, na minha opinião, uma regulamentação rígida. Mas a RBS, com campanhas e reportagens muitas vezes distorcidas, queria a extinção.
No esporte o meu maior temor sempre foi o de não ter opções, de mudar de rádio e não mudar o sotaque. Mas a velha Guarujá, que hoje completa 66 anos, continua firme e forte e não irá nos abandonar.