quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

As semelhanças entre Paulo Prisco Paraíso e Jânio Quadros

Em 1961 o então Presidente da República, Jânio Quadros, apresentou sua carta de renúncia do seu mandato, levando o País a uma enorme crise, que culminou com o golpe militar de 1964. A tese mais aceita sobre o real objetivo de seu ato, é a de que imaginava a rejeição da renúncia pelo Congresso e a volta ao cargo mais forte, nos braços do povo. Outra tese é de que foi um ato passional, decorrente das pressões que sofria à época aliada a sua condição de maluco completo. Em favor desta última tese, surgiram fatos novos: apresentou cartas de renúncia semelhantes quando Prefeito de São Paulo, que foram descartadas por seus assessores.
Em 2009 Prisco Paraíso apresentou sua carta de denúncia do contrato de gestão, levando o Figueirense a uma grave crise política, com consequências ainda imprevistas. O seu real objetivo, no entanto, não seria sair, mas sim se tornar mais forte, com o apoio do Conselho Deliberativo. Deu tudo errado. Como no caso de Jânio, o tiro saiu pela culatra e Prisco está sendo escurraçado do Scarpelli.
No caso PPP, também há outra tese, defendida pelo próprio, de que mandou a tal carta num ato passional, decorrente das pressões que sofria. Seriam as tais "forças terríveis" citadas por Jânio em sua carta?
Convenhamos, é muito difícil, para não dizer impossível, engolir essa tese da passionalidade de Prisco, mas também é difícil acreditar que um sujeito com a sua experiência tenha tido um erro tão grande de avaliação, a ponto de ter enviado, e achar que seria aprovada, uma proposta de mudança rejeitada por unanimidade. Haveria uma terceira tese? Enfim, talvez somente com fatos novos seja possível entender o que realmente aconteceu.
O certo é que o futuro do Figueirense é imprevisível, isso na melhor das hipóteses. Na minha visão, porém, como já escrevi diversas vezes, é previsível e bem sombrio. Com Prisco fora do páreo, já que dificilmente vai ganhar a parada na Justiça, o Conselho Deliberativo vai retomar o poder, as rédeas e não vai repassar aos novos gestores. Com toda a passionalidade do Conselho (como de todos os Conselhos de clubes de futebol), o sucesso dependerá mais do que nunca da sorte, do resultado no curto prazo. Diante de um semestre de resultados negativos, a nova gestora, se houver, já correrá o risco de levar um chute na bunda, citando como exemplo a parceria Jec e Luxemburgo, que durou uns dois meses. Temo também que a administração com a emoção e não com a razão também possa afetar o saneamento das contas do clube, uma grande conquista da Era PPP.
Não há como negar, porém, que foi PPP quem cavou sua própria cova. Ao Conselho coube a responsabilidade de desferir o tiro de misericórdia, pregar o caixão e colocar a pá de cal. O Conselho agiu acertadamente? Já expressei minha opinião, mas só o tempo dará a resposta definitiva.

7 comentários:

  1. Filipe Alvinegro21/01/2010 00:41

    quanta besteira...

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  2. Situações parecidas guardadas as proporções.... tambem to preocupado com o futuro... como todo mundo...

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  3. GOSTO MUITO DE HISTÓRIA. ALIÁS ESTUDAVA HISTÓRIA, POREM TROQUEI DE CURSO QUE SERIA + BENÉFICO PARA MIM NO FUTURO E Não me arrependi. Mas vamos o caso:Janio quadros dizia que "eram as forças ocultas" e não terríveis.No figueira não tem nenhuma oculta. são todas visíveis.

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  4. Caro Filipe, esse seu comentário vem se repitindo aqui no blog. Se só escrevo besteiras, não entendo porque você continua perdendo seu tempo.

    Anônimo, a expressão verdadeira usada na carta de renúncia de Jânio foi "forças terríveis". (...) "Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam...". A carta está disponível na Internet. É só usar o Google.
    Segundo consta na Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%A2nio_Quadros) "O popular rádio jornal daquela época, o Repórter Esso, em edição extraordinária, no dia 25 de agosto, atribuiu a renúncia a 'forças ocultas', frase que Jânio não usou, mas que entrou para a história do Brasil e que muito irritava Jânio, quando perguntado sobre ela".
    Um abraço.

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  5. Caro Campos,

    Eu tinha lembrado disso numa conversa com um amigo. Mais pelo lado do "voltar nos braços do povo" do que das forças ocultas.

    Parabéns pelos textos. Tenho discordado de algumas posições tuas a respeito dessa confusão com a PFSA, mas admiro a tranquilidade e a ponderação.

    Mesmo discordando, costumo de ler teu blog sempre e sempre levo em conta teus pontos de vista.

    Saudações alvinegras,

    Ney

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  6. Valeu Ney, com um elogio desses, vindo do mais respeitado dos blogueiros alvinegros, ganhei o dia.
    Quanto às divergências, penso que se explicam principalmente pelas experiências diferentes e acho importante que sejam colocadas, afinal ninguém é dono da verdade.
    Também o fato de nem sempre concordar com você impede que eu leia todas as suas postagens, leitura obrigatória de todos os alvinegros esclarecidos. Muito pelo contrário.
    Um abraço.

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