segunda-feira, 22 de março de 2010

O início, a ascensão, o apogeu, o declínio e a queda do Império de PPP


Hoje chega ao fim a Era PPP, a fase mais vitoriosa da história do Figueirense, iniciada em 1999 e concluída hoje, 22 de março de 2010.

Paulo Prisco Paraíso revolucionou o Figueirense, implantando uma administração profissional, que saneou as dívidas do clube, tornando-o viável, e os resultados não tardaram a aparecer em campo.

Sob seu comando, o Figueirense conquistou 6 títulos do campeonato estadual, ultrapassando o Joinville e o rival Avaí em número de conquistas, este com 4 conquistas a mais quando sua administração se iniciou.

Como conquistas relevantes, podemos destacar ainda sete anos seguidos de série A, a final da Copa do Brasil em 2007, a conquista da Copa SP de júniores em 2008 e a superação do rival em número de vitórias no clássico. Não é pouca coisa.

Pode-se questionar um monte de coisas da Era PPP, inclusive as negociações nebulosas de jogadores no apagar das luzes. Mas os resultados são incontestáveis.


O INÍCIO

PPP chegou no Figueirense debaixo de muitas acusações, denúncias, ações judiciais, decorrentes de sua atuação no Governo do Estado. Na minha visão, pelo menos num primeiro momento, entrou no Figueirense para tentar limpar seu nome, como muitos políticos em situação semelhante, e obter reconhecimento pela sua competência. Conseguiu êxito pleno apenas no segundo objetivo.

Estaria eu mentido se dissesse que no início sonhava com tantas conquistas, mas as perspectivas eram animadoras desde o começo, mesmo com orçamento limitado, com os oficiais de justiça ainda batendo à porta com frequência.


A ASCENSÃO

Nos dois primeiros anos o time patinou, mesmo com a conquista do estadual de 1999. Mas em 2001 o Figueirense deu seu grande passo, com a conquista do acesso à Série A, e continuou crescendo, com o tricampeonato 2002/2004 e a manutenção na primeira divisão nos anos seguintes.


O APOGEU

O auge, a fase áurea do Figueirense sobe o comando de PPP se iniciou em agosto de 2001, com a disputa da Série B e conquista do acesso, e terminou em abriu de 2008, com a conquista do último campeonato catarinense. Foram quase oito anos no topo, com resultados espetaculares, sendo 5 títulos estaduais, permanência no período na Série A, final da Copa do Brasil, além de conquistas importantes nas divisões de base.


O DECLÍNIO

Ao contrário do que muita gente afirma, penso que o declínio do Figueirense não ocorreu apenas pela criação, por si só, da Figueirense Participações, pois mesmo após 2004 o Figueirense continuou tendo ótimos resultados, como a sua melhor campanha na Série A, em 2006; a final da Copa do Brasil em 2007; e os estaduais de 2006 e 2008. O agigantamento da FPSA nos últimos anos, pelo que me falaram, inclusive com o acesso em seu quadro de pessoal de pessoas sem nenhuma ligação com o futebol, assemelhando-a a um órgão público, é que foi o grande problema, na minha visão. Certamente muito dinheiro da área fim (futebol) foi deslocado para a área meio (FP). Além disso, o afastamento de PPP do dia a dia do clube foi decisivo, na minha opinião, para a derrocada.

Embora o declínio seja visível e simbolizado concretamente pelo rebaixamento no final de 2008, não sei se o Figueirense teria fôlego, mesmo sem essas falhas na administração, para permanecer por muito mais tempo na Série A, pois com esse modelo de campeonato, por pontos corridos, com 20 clubes e 04 caindo todo ano, é inevitável a queda daqueles com menor poder econômico, tanto que o Figueirense foi o último não pertencente ao Clube dos 13 que resistiu à queda nesse sistema. Mesmo entre os clubes do C13, são poucos os que ainda não caíram (Flamengo, São Paulo, Santos, Inter, Cruzeiro, Goiás e Atlético-PR) e alguns escaparam por muito pouco (Fla, San e Atl.).

Mesmo nessa fase do declínio, o Figueirense ainda brigou até a última rodada pela permanência na Série A, em 2008, caindo pelo saldo de gols, e em 2009 brigou até a penúltima pelo acesso. Mas quem esteve no topo por tanto tempo não vai aceitar de uma hora para outra um time mediano. É natural isso. Mas tem também aqueles um tanto fora da realidade, que pensam ser o Figueirense o "Real Madrid do Estreito", como dizem os avaianos.


A QUEDA

Até hoje eu não entendo o que aconteceu realmente nos bastidores, atrás das cortinas, que culminou com a queda involuntária de Prisco. O que se sabe é que ele blefou ao mandar a tal carta dizendo que sairia se não aprovassem suas propostas. Mas o que o levou a blefar, a oferecer o pescoço à guilhotina com a denúncia do contrato? É obvio que tinha certeza de que não aconteceria o que aconteceu. Os cabeças do CD teriam sinalizado pela aprovação, dando-lhe segurança para fazer o que fez, e depois recuado, ou PPP foi tão estúpido ou arrogante, se achando insubstituível? Não sei responder.

É evidente que a queda de PPP só foi possível diante dos resultados dos dois últimos anos, pois se estivesse na Série A, conquistando títulos, os Conselheiros não teriam coragem de derrubá-lo, mas talvez o grande diferencial nessa queda foi a participação decisiva dos internautas, em blogs, sites, redes sociais, cujas posições pelo rompimento acabaram se espalhando por praticamente toda a torcida, mesmo aqueles que nunca acessaram à Internet, certamente com o apoio de opositores, inclusive com o fornecimento de informações privilegiadas. Foi isso que criou o clima para a degola. Talvez tenha sido o primeiro mandatário de um clube que tenha sido derrubado por uma revolução dos internautas.


E AGORA?

Agora só nos resta torcer para que a nova gestão tenha pelo menos o mesmo sucesso da que está saindo. Se vai conseguir, só o tempo dirá. Mas acho que atualmente o importante é todos, inclusive uma minoria que se posicionou contra a mudança, ficarem do mesmo lado, ou seja, do lado do Figueirense. De minha parte pretendo manter a mesma postura, de criticar e elogiar quando achar que devo. Ser oposição, ser do contra, não é comigo. Também acho que os opositores da gestão que está saindo devem esquecer o passado e parar de chutar cachorro morto.

4 comentários:

  1. RESP. " foi tão estúpido ou arrogante, se achando insubstituível" esta é a resposta para sua pergunta. Acrescento que: o conselho acordou para barbaridades que continha o contrato e o que queriam acrescentar.

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  2. PPP foi tão estúpido ou arrogante, se achando insubstituível, mais acho que ele saiu bem mais rico do que quando entrou, teve muita negociata nos apagar das luzes, se ele fosse honesto com todo o dinheiro teriamos varios times de primeira, mais foi ganancioso, acho que nem a porcentagem do Figueira ele entregou.

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  3. Melhor texto que eu li em todos os blogs falando sobre o Paulo Prisco.
    Os blogs tem constume de assumir uma posição e passar por cima de tudo que aconteceu para manter aquela posição.
    Voce foi capaz de resumir tudo, e falar bem quando se precisa e mal nas horas necessárias, sem precisar destruir ninguem para tal.
    Muito bom texto. Alias, o título já parece de um documentário feito para vencer o oscar.

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  4. Guto Figueira22/03/2010 16:05

    ***É necessário fazer disso uma corrente... Desculpe se eu estiver fazendo mal uso do espaço, mas isso tem que acabar.***

    Lamento usar esse espaço aqui desse tópico para manifestar a minha revolta, mas vocês acreditam que no dia do clássico mais importante de Santa Catarina aqui em Blumenau vai passar campeonato carioca?????
    Mais precisamente VASCO E AMERICANO… O que que eu tenho a ver com Vasco e americano???

    Desculpa cara, nem sei se você vai postar isso, mas se a RBS não pode apostar no sucesso e garantia de retorno do campeonato, então que deixassem com o antigo tutor dos direitos de transmissão…
    O futebol de Santa Catarina, dentro da própria Santa Catarina nunca irá crescer dessa forma, enquanto não houver respeito com os clubes e consumidores catarinenses.

    Um abraço.

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